MINHAS LEITURAS

Aprendizados - O magnífico livro de Gisele Bündchen

Como leitora contumaz, costumo ler dois livros ao mesmo tempo... Quem gosta de ler, sabe bem do que estou falando. Não conseguimos ter em mãos apenas um livro, precisamos de dois, de três e sei de pessoas que leem até quatro ao mesmo tempo. Eu não chego a tanto, embora a paranoia me ronde... rsrsrs Bem, dessa vez, li "O bosque das ilusões perdidas" de Alain-Fournier que falarei oportunamente. 

Hoje quero falar do magnífico livro de Gisele Bündchen! Magnífico porque é uma leitura que além de nos prender, não nos cansa. Pelo contrário, a impressão que temos é que estamos em um prazeroso bate papo com a modelo. Neste livro, que namora a autoajuda, e eu não sei o porquê, mas não aprecio o gênero, o conteúdo do mesmo foi surpreendente. Porque o livro trata de temas corriqueiros como disciplina, perseverança e valores pessoais, mas com um conteúdo envolvente e muito inteligente. 

O livro não é uma autobiografia, mas que relata a vida da autora de forma leve e interessante; e não é uma autoajuda, mas nos ajuda muito, na medida em que nos faz um convite para nos tornamos melhores e mais ativos no planeta. Gisele traça uma linha muito singular de sua vida, onde mostra toda a luta e empenho que teve para obter sucesso no mundo da moda,  as possíveis desvantagens que imaginava possuir, como a aparência física diferente do padrão idealizado, e etc.,  mas que justamente a tornaram a modelo de sucesso. 

Nesta travessia,  também mostra a perseverança em manter os seus valores familiares e relata um pouco da sua infância, da sua adolescência, das dificuldades que normalmente enfrentamos e deixa à mostra a essência magnifica de pessoa que ela é, interessada no bem comum e em construir e manter sua família unida e feliz.

Há também o relato de quando passou por problemas de saúde, como os ataques de ansiedade e de como lutou bravamente para supera-los através das terapias alternativas como yoga, meditação e exercícios físicos.  

Achei o livro lindo, repleto de ensinamentos, força e beleza. Gisele não é só linda por fora, mas também por dentro, como ser humano incrível que trabalha por causas sociais, ambientais e que faz diferença no nosso mundo. O livro é um convite para repensarmos nossa trajetória como pessoas e como fator de mudanças no planeta. Recomendo! 

A BELEZA SOFRIDA EM SÃO BERNARDO – DE GRACILIANO RAMOS

Costumo dizer que Graciliano Ramos me salvou. Salvou-me da loucura na minha pré- juventude.  Ele escrevia direto à minha alma, que era triste e cinza como a sua literatura. Mas também bela, de uma beleza mórbida e rude.

Dentro daquelas páginas amarguradas de Vidas Secas, Insônia, Angústia, etc,  eu me encontrava e me curava.  Eu não era então a única solitária, triste, vazia e insana no mundo. Ainda bem que existiu Graciliano.

Mas hoje resolvi falar de um dos livros dele que eu li à exaustão. Na vida adulta também, depois que as nuvens dissiparam um pouco e me encontrei um tiquinho assim...

É São Bernardo. Li tanto e tantas vezes e não enjoava. Nunca. São Bernardo é a história de Paulo Honório, um sujeito rude e bronco que se fez sozinho, solitário também . Ele resolveu escrever a sua história, depois de perder a esposa Madalena. 

O mais belo em São Bernardo é a personagem Paulo Honório, um homem rude, pragmático e que se apaixonou perdidamente por Madalena, que era frágil,  sonhadora e romântica, incapaz de perceber o amor violento que havia despertado.

Resumindo, Paulo Honório se tomou de ciúmes por ela, pois ela era inatingível na medida da distância intelectual dos dois. Ele a amava e não a compreendia. Ela o amava e não aceitava aquela personalidade prepotente, rude e autoritária na qual ele foi se tornando a medida que enriquecia.

A dor da perda de Madalena (a mesma se suicida por não suportar o tormento dos ciúmes infundados) de Paulo Honório, a solidão dele e antes disto, os artifícios dissimulados que ele utilizou para feri-la são uns dos pontos altos deste livro.

É lindo, é real, é dolorido e é acima de tudo uma verdadeira estória da alma humana. Grande salvador de almas aflitas é Graciliano Ramos.

A CEGUEIRA SENTIMENTAL POR TRÁS DE "E O VENTO LEVOU..."

Pasme, quem ainda não o leu, a edição que ganhei tinha por volta de 900 páginas! 
Pois é, mas eu leitora voraz não desanimei, aliás, me entusiasmei e muito. 
Para ser mais direta, devo ter lido "E o vento levou..." umas quatro vezes ao longo da vida, fora às vezes que o reli, apenas pelo meu bel prazer. 
O mais interessante na estória é que a despeito do romance e da guerra de secessão como cenário de fundo, o destaque no enredo deste livro é sem dúvida a personalidade forte de Sarlett O'hara, ah sim, todos vão dizer, mas isto é clichê, a personagem é forte, destemida, etc. e tal. Todos veem... 

Sim, o personagem é tudo isto e muito mais em qualidades e "defeitos" que pode apresentar um ser humano.

Mas o mais interessante são os "defeitos" de Scarlet O'hara, sua arrogância, sua ambição e principalmente a sua secular cegueira em identificar o real amor que encontrou, ou seja, o destemido Rhett Butler. Destemido sim, porque para enfrentar aquela fera... Inesquecível a cena de quando ela arranca as cortinas de casa e faz um vestido para tentar seduzir Rett que está preso...

Para mim, foi sim, o ponto alto do enredo esta personalidade ímpar em força e em coragem, sobreviver a uma guerra e não conseguir enxergar o amor verdadeiro que lhe era oferecido de bandeja ao longo da sua vida .

Esta estória exemplifica muito bem a vida real, onde muitas vezes a nossa cegueira do coração é o nosso maior adversário e em vários aspectos da vida. 
Vale o livro, vale o filme, vale esta estória atemporal!